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[Resenha] O senhor está brincando, Sr. Feynman! - Richard Feynman

[Resenha] O senhor está brincando, Sr. Feynman! - Richard Feynman

"O senhor está brincando, Sr. Feynman!" é o estranho título dado ao brilhante livro "Surely You're Joking, Mr. Feynman!", do físico ganhador do Prêmio Nobel Richard Feynman. 

De cunho bem pessoal, o livro é uma coleção de lembranças pessoais do renomado físico norte-americano Richard Philips Feynman. Além de ser o ganhador do Prêmio Nobel de 1965 por sua descoberta a respeito do decaimento Beta, Feynman também é pioneiro na área de eletrodinâmica quântica, computação quântica, nanotecnologia e participou do famoso "Projeto Manhattan".

Caso desconheça, o Projeto Manhattan foi o projeto que culminou no desenvolvimento das primeiras bombas atômicas do mundo, que mais tarde resultaram no lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, durante a 2ª Guerra Mundial.

[Resenha] O senhor está brincando, Sr. Feynman! - Richard Feynman
O livro é extremamente engraçado e não é necessário que se tenham conhecimentos em física para o entendimento geral dos capítulos, pois o livro não é focado em ciência ou física, é focado nas histórias de vida engraçadíssimas do Sr. Feynman. 

Sem sombra de dúvidas é um ótimo livro para passar o tempo, pois além de ser muito engraçado e agradável, conta a história de vida de um dos físicos mais conhecidos do século XX, todas as suas excentricidades e suas frequentes visitas ao Brasil. No livro, Feynman conta suas histórias no Brasil e de como chegou a participar da percussão em uma escola de samba no Rio de Janeiro, além de realizar diversas palestras e lecionar para estudantes do Rio de Janeiro por 10 meses.

Falando em sua posição de catedrático no Brasil, este livro contém uma importante crítica de Feynman à educação brasileira, que foi proferida em uma palestra nos anos 50 e culminou em sérias mudanças da educação de ciência no Brasil. O discurso do Sr. Feynman ainda é referência no país e é muito citado por cientistas e professores brasileiros.

O veredicto final para este livro é: recomendado como uma leitura para descontração. Você não irá aprender muito com ele (a respeito de ciência ou física, por exemplo), mas com certeza se divertirá lendo as histórias interessantíssimas do senhor Feynman!

[Resenha] O Arqueiro - Bernard Cornwell

O Arqueiro, de Bernard Cornwell, é sem sombra de dúvidas uma grande obra literária. Me atreveria a dizer que esta obra tem também grande importância histórica: não apenas por retratar fielmente conflitos ocorridos em tempos que precederam a famosa “Guerra dos Cem Anos”, mas também pela facilidade do autor em transmitir a paixão por História. Poucos foram os personagens da humanidade que conseguiram transmitir as suas paixões para um punhado de pessoas - Carl Sagan e Steve Jobs foram uma dessas poucas pessoas e são semi-deuses para muitos.

[Fernando Paladini - Resenha] O Arqueiro - Bernard Cornwell A história de “O Arqueiro” trata da vida de Thomas de Hookton, um jovem arqueiro inglês que teve sua aldeia destruída e seu pai assassinado por soldados desconhecidos quando mal completara 18 anos de idade. Ainda no leito de morte do pai, Thomas faria a promessa de recuperar uma relíquia de Hookton e de sua família, a Lança de São Jorge. Preocupado em cumprir a promessa para seu pai e em vingar a destruição de sua amada vila, Thomas se junta ao Exército Inglês como arqueiro e participa de campanhas que anos mais tarde o levariam para a Bretanha, Normandia e França. Passando por La Roche-Derrien, Lannion e Caen, Thomas de Hookton chega ao estopim da Guerra dos Cem Anos: a gigantesca batalha de Crécy.

Narrando com destreza e exatidão, Cornwell faz uma apaixonada descrição dessa batalha que viria a culminar na Guerra dos Cem Anos. Apenas para fins de contextualização, a Batalha de Crécy foi travada entre Inglaterra e França: do lado inglês aproximadamente 15.000 soldados exaustos da campanha na Normandia, Bretanha e França. Liderados pelo Rei Eduardo III, as tropas ingleses estavam mal-alimentadas, esfarrapadas e sem flechas. Do outro, cerca de 40.000 homens liderados por Felipe VI de Valois. A narrativa de Cornwell é apaixonada e faz dessa batalha um dos pontos mais altos desse incrível livro denominado “O Arqueiro”.

[Fernando Paladini - Resenha] O Arqueiro - Bernard Cornwell

Nesse livro a genialidade de Cornwell fica evidente por sua exatidão histórica e habilidade para criar personagens em meio a histórias verídicas. Para quem anseia conhecimentos e não consegue deixar de lado uma boa literatura, esse livro é uma leitura obrigatória. Cornwell definitivamente nasceu para unir o conhecimento à literatura, redefiniu o que significa “aprender brincando” e o adaptou para a literatura contemporânea. Não tem como ler e não se apaixonar. 

[Resenha] Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens

[RESENHA - Fernando Paladini] Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens

Sem sombra de dúvidas, Charles Dickens é um dos escritores mais respeitados de todos os tempos, mas a que se deve tal reputação? Para descobrir isso, sai da minha zona de conforto e li uma de suas obras, “Um Conta de Duas Cidades”. Lá encontrei a resposta de porque Dickens goza de tal reputação positiva, como conclusão, posso assegurar-lhes que essa reputação não é nem um pouco exagerada: Charles Dickens é um dos melhores escritores de que já tive o prazer de ler.

Envolto em uma complexa história datada do final do século XVIII, “Um Conto de Duas Cidades” mistura elementos e características de personagens das duas principais cidades do mundo à época: Londres e Paris. A história, repleta de personagens apaixonados e bem descritos, apresenta diversas estórias que por muito tempo são completamente aleatórias e isoladas, entretanto começam a se ligar de forma magistral no decorrer das páginas.

[RESENHA - Fernando Paladini] Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens
No começo de cada uma dessas estórias isoladas você tem a sensação de estar completamente perdido e lendo pequenos contos separados, sem qualquer emoção e o desânimo de ler chega a ser grande. Entretanto, quando o livro começa a se encaminhar para o final da primeira metade as estórias começam a se unir e a cada novo parágrafo você começa a entender a estória geral. Esse momento é realmente fascinante, pois a curiosidade vai crescendo à medida que cada um dos contos isolados vão se juntando, então você começa a notar a habilidade que Dickens tem de conseguir juntar contos através de pequenos detalhes que você, algumas páginas antes, jamais teria reparado.

Embora de fácil leitura, a história é complexa, pois tem diversas reviravoltas e novidades que mantém o livro interessante até a última página. É impossível dar detalhes da estória de forma resumida: caso eu tente falar de um personagem do começo do livro, será impossível manter suas características até o final, pois a visão do leitor sobre a vida dos personagens muda a cada capítulo, junto com todas as outras estórias.   



Se você deseja ser um escritor, é imprescindível que leia Dickens, pois os elementos e as inovações técnicas que estão presentes nesse livro são de quebrar o queixo de qualquer um. Você aprende muito com a escrita do autor e vê técnicas que nunca viu serem aplicadas em nenhum livro, o que lhe dá muita criatividade na hora de escrever as suas próprias histórias.

Se você é um leitor, não tem como deixar de ler este que está entre os literatos mais famosos e clássicos do mundo.

[Resenha] Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski


Quem nunca ouviu falar em Dostoiévski que atire a primeira pedra! Okay, é provável que agora eu já esteja morto desse apedrejamento. Se você é um desses que atirou uma pedra em mim, saiba que você desconhece um fênomeno da literatura clássica. Há muito tempo eu tinha vontade de ler “Crime e Castigo”, uma das principais obras de Fiódor Dostoiévski, mas nunca tive coragem para tal. Traumatizado pela descrição severa do livro dada pelo meu irmão - que o considerava muito complexo -, nunca ousei me aproximar de tal título, mas recentemente mudei de ideia e li. Sim, finalmente li e posso lhes ser sincero? Jamais me arrependerei de tal atitude, Dostoiévski é incrível e “Crime e Castigo” é sensacional!

Para quem não está habituado a ler, a leitura de Crime e Castigo pode ser comprometida devido ao linguajar um tanto quanto sofisticado e apelativo à linguagem culta. Caso você não tenha esse problema, a leitura de Crime e Castigo será muito cativante e ao terminá-lo perceberá como um livro pode mudar para sempre a sua forma de pensar.



Crime e Castigo conta a história do jovem russo Raskólnikov, um ex-estudante que vive solitariamente em um pequeno quarto na cidade de São Petersburgo (Rússia). Considerado por alguns como um grande gênio e por outros como um grande patife, Raskólnikov é um homem que vive sob constantes delírios nas mais deploráveis condições de vida, passando dias sem comer e sem sair de seu minúsculo quarto. Sozinho em seus devaneios e apoiado por uma teoria desenvolvida por ele próprio, acaba por criar um plano malévolo e a colocá-lo em prática. Tal plano acaba acaba por destruir a sua vida, ao mesmo tempo que a salva tempos depois.

Apenas como título de curiosidade, vou falar um pouco sobre a teoria de Raskólnikov - uma das principais influências para elaboração de seus planos terríveis. A teoria de Raskólnikov divide a humanidade em dois grupos: as pessoas “ordinárias” e as pessoas “extraordinárias”. As pessoas ordinárias deveriam viver na obediência, seguindo as leis e respeitando o status quo - vivendo como pessoas normais. Já as pessoas extraordinárias teriam um direito não-declarado de cometer crimes e violar leis, desde que suas intenções fossem úteis à humanidade e exigissem tais ações. Entre as pessoas extraordinárias estariam Napoleão Bonaparte e - possivelmente - Raskólnikov. A partir daí, dá para se imaginar como a história de Crime e Castigo se passa.

Aos interessados em literatura clássica, um prato cheio; aos interessados em filosofia, uma revolução literária. Mesmo atingindo perfis dos mais varidos, esta obra atende muito bem a todos eles, deixando ao leitor a tarefa de entender (da maneira que preferir) as histórias de sofrimento do jovem Rodion Românovitch Raskólnikov. 

Por Fernando Paladini.

[Resenha] A Internacional - Alicia Sagra


[Resenha A Internacional - Alicia Sagra] Da esquerda para direita: Stalin, Lenin e Trotsky

Resenha do livro “A Internacional”, de Alicia Sagra.


O livro “A Internacional”, de Alicia Sagra, conta a história de todas as internacionais comunistas e de trabalhadores que existiram durante a história recente da humanidade. Com uma linguagem que requer alguns conhecimentos prévios, a autora começa falando da 1ª Internacional, fundada por Marx e Engels pouco tempo após o lançamento do Manifesto Comunista, e chega até a IV Internacional, que é a internacional vigente no momento.

Ficha técnica do livro:
Título: “A Internacional: Um permanente combate contra o oportunismo e o sectarismo”
Autora: Alicia Sagra
Número de páginas: 224
Editora: José Luis e Rosa Sundermann
2ª Edição
ISBN: 978-85-99156-52-7

[Resenha] Resenha crítica do livro "A Internacional", de Alicia Sagra
Embora dotada de uma linguagem não muito simples, o livro conta muito bem a tragetória e o desfecho das quatro internacionais que existiram: a 1ª Internacional, fundada por Marx e Engels; a 2ª Internacional, fundada por Engels; a 3ª Internacional, fundada por Lenin e a 4ª Internacional, fundada por Trotsky. De forma geral, este é um grande título para se familiarizar com grandes personagens da história como Marx, Engels, Lênin, Stalin e Trotsky. 
A única grande crítica à obra é a clara parcialidade da autora para com o “trotskismo”, sem mostrar nenhum contrapeso. Durante a apresentação e desenvolvimento da história da III e da IV Internacional, Alicia defende arduamente o “trotskismo” sem mostrar um contrapeso, o que pode ser ruim para leitores iniciantes da Revolução Russa, como eu. 

Recomendo que a história da III e da IV Internacional sejam analisadas com cuidado pelos leitores, pois são fortemente parciais. Se possível, recomendo ainda que leiam outros títulos que defendam o “stalinismo” para fazer um contrapeso à forte influência “trotskista” da autora.

No mais, é uma ótima obra para se ter boas noções de como se deu a criação e o desfecho das quatro internacionais existentes. Novamente, cuidado com a influência da autora ao “trotskismo”.